Av. física direta vs Av. Física Indireta

A avaliação física é sem dúvida um elemento muito importante no processo do treino desportivo.


Avaliação de VO2máx. Objetivo: Trail Running. Atleta Mariana Henriques

Há quem defenda com unhas e dentes exclusivamente avaliações diretas, e há quem ignore completamente este paradigma e faça as suas avaliações recorrendo apenas a métodos indiretos. Em muitos casos, com resultados bastante positivos de ambos os lados.

Pessoalmente, dou preferência às avaliações diretas, pois têm uma elevada validade científica e fornecem dados concretos e reais.

Nestas avaliações diretas, caso o objetivo seja avaliar a capacidade metabólica e definir as intensidades das zonas de treino, temos a avaliação de VO2máx e limiares ventilatórios com analisador de gases ou limiares de lactato.

* É importante destacar que, independentemente do método utilizado, o resultado das avaliações diretas em outdoor e até mesmo indoor, pode sofrer alterações significativas devido a adaptações agudas provocadas pela temperatura ambiente, pelo vento e/ou humidade. É preciso ter sempre atenção a estes fatores.

No caso das avaliações feitas indoor numa passadeira, a inclinação do tapete é um pormenor fundamental, sendo a inclinação de 1% aquela que a comunidade cientifica aprova como a que melhor simula a corrida em outdoor (Jones et al., 1996).

Avaliação indireta (Teste de Cooper). Objetivo: Trail Running. Atleta Nuno Paiva

No caso das avaliações indiretas, estas são geralmente muito simples de aplicar, não requerem obrigatoriamente a presença do treinador, permitindo que este economize tempo.

O teste da milha ou o teste de cooper são alguns exemplos dos métodos de avaliação indiretos mais conhecidos e aplicados no seio dos corredores de resistência.

Avaliação limiares de lactato. Objetivo: trail running. Atleta Kevin Batista.

No entanto, ambos os métodos apresentam vantagens e desvantagens.

Se por um lado as avaliações diretas fornecem dados exatos, reais e fidedignos, permitindo que os atletas consigam treinar nas intensidades ideias, aumendando esponencialmente a probabilidade de melhorar o seu rendimento, nas avaliações indiretas a margem de erro é significativamente maior.

Por outro lado, as avaliações indiretas não requerem praticamente insvestimento nenhum, bastando um simpes cronómetro ou um relógio, o que já não acontece com as avaliações diretas, que, no caso do VO2máx e limiares ventilatórios, obriga a um investimento de alguns milhares de euros num equipamento de análise de gases, ou num medidor de lactato.

Tendo em conta estas situações, então e se não for possível realizar avaliações diretas devido ao custo, ou até à falta de disponibilidade ou à distância entre treinador e atleta?

Não havendo outra solução, para estes casos restam as avaliações indiretas.

Mas os resultados destas avaliações são válidos?

Em alguns casos sim, noutros não. As avaliações indiretas fornecem dados baseados em médias estatísticas, podendo estes resultados ser aproximados ou bastante díspares da realidade desse atleta. A PROBABILIDADE DE ERRO É MUITO ELEVADA.

Portanto, o ideal será fazer avaliações diretas. Se não for possível, a avaliação indireta poderá ser válida, mas nunca fiando.


Bons treinos!!

Referências:
  • Costa, C. F. L. (2019). Avaliação e Controlo de Treino no Atletismo, Laboratório versus Terreno [Dissertação de Mestrado, Universidade do Coimbra]. https://hdl.handle.net/10316/86443
  • Jones, A. M., & Doust, J. H. (1996). A 1% treadmill grade most accurately reflects the energetic cost of outdoor running. Journal of sports sciences, 14(4), 321-327.https://doi.org/10.1080/02640419608727717